quinta-feira, 4 de junho de 2015

MENINOS DE VENEZA


Dos canais cintilantes,
Pontes entre olhos sempiternos
Sempre amantes, os olhares
Mais sinceros da mais
Pura Beleza, os meninos
Por trás da máscara,
Meus meninos de Veneza....

Nadavam como gôndolas
Sagradas, sem os pés, voam
Pelos salões da alta realeza,
E numa face clara em tom de
Pele esclarecida pelo dote
Supremo de uma majestosa
Franqueza, escondiam atrás
Da máscara, qualquer contraponto
À essa grandeza, os meus
Meninos tão repletos, plenos de
Si, os meus meninos De Veneza...

Crueza fria em olhar e por mais
Do que um instante suportar,
Teus olhos faiscantes, teu reflexo
Sobre o mar, crueza amante de
Falar sobre as pontes e as joias
De diamantes os segredos quentes
Dos peitos sentimentais, amantes
Venezianos, são os beijos de canais
E canais apenas, quando da profundeza
Mais berrante desse cidade flutuante
Dos mágicos oceânicos, milagres
Mediterrânicos...
Vejo surgir a proeza inquebrantável
Do teu rosto, uma Beleza cuja alteza
Não estará sequer para os pórticos
Palacianos da bela imortal Veneza
Milenar!

O toque das minhas mãos na
Pele das tuas delicadezas,
E a proeza de ser mais sereno
Ao teu lado, desmascarado e
Nu, finito il Carnevale,
sem medo e sem certeza
Amo-te cruelmente, para sempre
Meus meninos de Veneza



FC 





                                                       IL UOMO SENZA FACCIA

quinta-feira, 28 de maio de 2015

A VISITA

Solene olhar desperto, talho do meu rosto assim tão cedo exposto,
E descoberto, solene olhar sofrível na minha mais íntima intenção,
jovem aspiração poética, numa noite sombria de tessitura cética,
uma sombra ou assombração, assim estranha, imóvel no contorno
da porta infiel, revirava as minhas entranhas, desconjuntando a minha fé,
onde até os anjos eram ateus, e sonhos não eram meus, pois eu vi nos
teus olhos turbulenta aparição, uma névoa indecifrável de atípica serração,
Quanto fizeste da minha humilde criação, uma página a mais em branco
nos tantos rostos inescrutáveis fugidos de mim aos prantos, apavorados
com os meus silêncios aflitivos, incomodados com os meus encantos esquistos, os estranhos modos de uma reversa misantropia, quando sofremos por ver demais, demasiadamente humanos olhos fingidores de uma escusável miopia para assim poder não ver o óbvio tão notável do todo que nos cerca enquanto
uma cerca se fez em mim, nessa noite tardia de estrelas ardentes no céu, eu dormia e sonhava com a tua promessa, ainda morna na luz de teus olhos
quentes, cujo brilho refletia as palavras que há tanto tempo minha Alma não ouvia, repousando em efêmero terreno, ela em paz se debatia...

E surda não ouvia as palavras meigas que o silêncio lhe trazia, através
Do brilho desse olhar que tanto me fugia, mas me fazia falar, sobre o
Ímpeto da vida, uma vontade renascida em tal alma ressurgida quando
Assim sem mais nem menos, nessa noite aparecida de celeste voz ungida
Senti as mãos retorcidas e o peito de dor fremia, enquanto teu rosto
Aquarelado no espelho sem retrato, desfigurado pelo esquecimento da
Moldura, o meu nome me dizia, cada sílaba de sua nomenclatura tua sóbria
Voz me repetia, e eu sem saber se era memória ou loucura, no silêncio declamante me afligia, agitado em sobressalto sobre um encanto cuja magia inefável do etéreo inexpressável sentido, chegava sentir o ser apavorante pairando como um cisne negro dominante invasor do meu espelho, e ele sorria enquanto dizia as palavras que há tanto minha alma não ouvia, e eu não sabia se era plexo lunar do acúmulo de sonhos mal dormidos, ou pura psicopatia, delírio sóbrio,inexplicável psicologia, simplesmente não sabia de fato o que ali acontecia, aquelas belas palavras que ouvia...

nao sabia , nao sabia nada desse mundo tão concreto, de tijolos tão incertos,
onde os muro nos abraçam sem consentimento e nao pedem para crescer, onde
as árvores que nos cercam de olhares assim tão verde, não avisam sobre os dias que lhes restam, sobre as folhas que ainda tem, nem quando irão morrer, se com frutos ou sementes, se com serras ou com dentes....e como tudo que nos toca, como toda dissipável solidão que nos envolve desaparecem sem dizer adeus, somem assim sem perceber que percebemos, e sentimos no desespero de cada folha desaparecida, a dor do desaparecimento,
e o milagre eterno suspirante desse delírio angustiante , dessa força chamada
Vida, oh Vida minha do peito desaguado, volte para ser cumprida, alma tão
sofrida, pare e escute o silêncio e as palavra que há tanto tempo tua alma
não ouvia....
somente se aturdia com um coro espectral, mas agora, o que vivia? ou voz real e tangível cujo timbre em sustenido suspendia meu esqueleto ao ar nubente, sendo noite ou sendo dia, pois o tempo assim sumia, ou fantasmagórica alegoria, solitário no meu mundo sozinho enlouquecia com tão atroz fantasmagoria, quando a voz me repetia, e insistia, a inconfundível voz menina, o meu nome em silencio dizia, e as palavras que ha tanto essa minha alma  em desencanto não ouvia, nao sentia como um planta num vaso sem decanto, não floria...
Nao vivia, e assim, no silencio absoluto e total ela ficou imaginando se tudo que viveu, ou que vivia, tinha sido um sonho de amanhecer, ou somente a voz silenciosa de uma pétala de rosa, morta, sombria e esquecida....

as palavras que há tanto tempo minha alma não ouvia!!!



FC




                                                                  LA VISITA 

A LÁGRIMA DE VENEZA

Em um dia em qualquer dia, às sombras tênues do meio dia,
Ressurgia assim celeste, os sonhos de uma alegria, enquanto
O motor de um barco, simples vapor de fato desmaiado junto
Ao vento, me aturdia, assim continuo, ao ritmo do pensamento,
Que me dizia em sombria leveza, talvez angústia precoce
De certo pressentimento, uma palavra amarga de tristeza,
Ao me deparar com os cais iluminados pelos reflexos do
Canais, quando a certeza me levava, e junto ao meu lado,
Meu amado, ao Gritti Palazzo de Venezia....ela me dizia e
Confundia a inominável absoluta certeza com uma lágrima negra
Inenarrável, cobrindo a inexpugnável resistente Beleza
Com essa tal lágrima amarga, severa flor da peste negra,
Uma lágrima de tristeza.....

Desembarcamos livres, soltos das pesadas malas, dos
Pesos inominados, alguns trazidos pelos excessos, outros
Como sombras de um passado amaro, mas mesmo desembarcados,
E envoltos pela infinda Beleza, porém assim mesmo surtia algo deste
Inominável silêncio entorno de tudo que nós olhávamos,
Quando no marmóreo balcão nos registrávamos, a negra
Pena o papel rasgou, sem querer derrubei o tinteiro negro
Sobre a brancura ilustre da pedra alva, e ali, talvez novamente
A tal certeza, uma lágrima da tristeza, escorria silenciosa,
O primeiro pranto desaguando seu choro pelo grande lacrimoso
canal, a cidade atemporal, imortal Veneza nupcial....

Ao quarto conduzidos fomos, por talhadas esculturas perfeitas,
Seres humanos vestidos ao porte de uma altura onde nuvens
Estariam rarefeitas, as belezas todas perfeitas, e os lustres de cristal,
A mobília veneziana, o tecido rosa tão dial escalando as majestosas
paredes, e as taças seminuas, nos esperando na varanda, resfriando
o contido fogo de nosso incontido temporal corpóreo, dias que pareciam anos, quando da última vez nossa peles se disseram adeus, nossos olhos choraram
As lágrimas de Deus, e esparziram  sobre o mundo a leveza disseminável,
Do sentimento mais puro inconstante numa vida perdurável, quando
Impertinente  o vento entrou, e um taça se quebrou, talvez ai novamente a silenciável e aturdida Beleza inexpugnável, chorava uma vez mais despercebida,
Em nossas núpcias de Veneza, as lágrimas dos canais, derramando uma solene lágrima de tristeza.... 


O dia se perdia sem perder-se das horas a alegria, o tempo não parava pois
Simplesmente não existia, e tudo entorno de nós era gozo interminável, era
A Beleza em sua mais pura forma de grandeza, os olhos que não se fecham
Sequer quando a luz do dia na escuridão se dissolvia, os lábios que não se afastavam sequer quando as estrelas se apagavam na solidão imensa do inescrutável, era isto o que vivia-se naquilo que podia se dizer ser inenarrável, era isso o que tínhamos nas mãos sob algo que podia se dizer ser irrefreável, os olhos puros da Beleza, nos fitando diretamente, flutuando sem piscar sobre os incontáveis canais de um sonho de Veneza, a alma e sua certeza, sem nada mais precisar, do que um silêncio gondolar e um barqueiro para assim nos trafegar pelos infinitos segredos de uma cidade flutuante, onde dois são navegantes
Passageiros, de algo transitório que nos toca por um instante, fazendo
De uma vida inteira um inefável momento, uma Beleza triunfante, para sempre
Eternizada em vosso olhar, meu pequeno diamante a flutuar sobre os meus
Sonhos venezianos, cintilantes em imperecíveis aquáticos corantes, quando a vida vira um sonho, e o sonho um brilho faiscante nos teus expressivos olhos de esmeraldas fervilhantes, a viva pedra mais preciosa do mais belo jovem dos amantes....e sua certeza inabalável, quando brutalmente a gondola
Bateu na pedra silenciosa e a travessia interrompida foi, cortado o silencio
Da lua esmaecida, tivemos que desembarcar, talvez ai, novamente diante
De tanta Beleza, o silêncio tumular, chorou secretamente, insinuante, mais uma
Lágrima, da peste lagrimosa, a lágrima de Veneza....

As luzes faiscantes nos canais, as tochas e as pontes, as janelas recortadas como
Arcos flamejantes, as floreiras cravejadas nos tijolos desnudos dos templos flutuantes, as enormes cúpulas imponentes trovejantes, as torres e os amantes, tudo isso no cenário da nossa grande beleza, um silêncio para sempre tatuado
Na carne da memória, nessa vida de surpresas, quando retornamos ao quarto
Quente, nossa pequena íntima realeza, o vulto silencioso já estava lá, nos esperando na cadeira, invisível como um fato do passado esmaecido pelo tempo, como um belo rosto envelhecido, o rosto da Beleza esculpido pelo vento, o tempo e o sentimento de apagar o belo rejuvenescimento daquilo que vive sem a devida manutenção, sem o devido sentimento, a lágrima dos olhos, esquecidos, do amor em solidão.... ele estava lá, impregnado nas paredes, e bastou um ato, um gesto, um olhar, um nada detonador, um pensamento falho como gatilho para indescritível explosão! As velas apagaram-se na mesa, os espelhos quebrados manchados pelo sangue negro da escuridão, a morte da Beleza...enfim choravam os anjos alvejados, para sempre desterrados, morriam sem saber, impregnados pela tal tristeza,
Choravam juntos, com medo, abraçados, a luz do abajur acesa num recortável silêncio nupcial...
As Eternas Lágrimas de Veneza



FC



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                                                      VENEZIA LACRIMOSA



quarta-feira, 27 de maio de 2015

LEÕES DE VENEZA

Dor, celebrada dor dos augustos seres partidos ao meio, os empoeirados potes de vidro, recipientes feitos para um bela flor.....imensa flor, dos teus lábios arrancada, a flor da minha dor, dos teus lábios retalhada, a cor desse flóreo incorpóreo masoquismo incolor...

Os beijos de sangue tão corpóreos, e os indícios de uma alma incomensurável a cada pétala da flor arrancada, carpida, retorcida, estraçalhada.... pétala que não me quer, bem me quer, mal me quer, como jamais pudeste pensar que serias minha mulher? Flor da imensidão, frente a mim,  fantasma desfigurado de uma ópera falecida, retalhado, como jamais poderia eu sublimemente permitir-me ao etéreo amor? Quando o que sobraste de meu rosto, antigo alvo de esplendor, não reflete sequer um lastro humano de remorso e de singela humana dor,  neste agora imenso, quando choro teus perfumes, tuas lágrimas de flor, quando devoro os teus sonhos todos , como um poeta blasfemador? 

Oh, Santo Cristo Imperador, me condenai! Como posso assim tão férreo responsável ser de uma alma o vaso constritor, se tudo que devia ter feito era no próspero vaso posto a flor? O vaso que me destes, depois de tantos pedidos oratórios, súplicas de doido amor, a ânfora em peito, que bate o teu invisível calor, meu anjo transcendental, do poeta o sofredor, meu amo sideral, dos versos o penhor.... Impenhorável sentimento é esse tão gritante, gigante desesperador, jamais choraste abundante tanta alma o sofredor, enquanto o mar urgia , enquanto as folhas caiam, e na pele ardia as marcas de uma mordida tua feita aos flocos de neve ao cume do sabor.... enquanto eclipsavas o mundo com teu inexplicável sorriso e o outono nos teus olhos desabrochavas como um verão dentro de mim, o inverno febril incendiado pelo fogo do nosso Chalé era suspenso pelos penhascos perdidos no secreto mais longínquo do paraíso ainda perdido nesse mundo...desse Amor, sublime Amor! 

Como posso querer que ainda te cales, quando de meus gritos somente uivos e gemidos, urros de tanta dor...a dor de perder sempre, sempre o ser perdido, a cada momento de memória, a cada lembrança na paisagem interior, perdido o teu silêncio e a voz do teu amor....
Oh gigante além dos montes e dos vales, poeta sofredor,
Me arranque das antigas corjas, dos antigos ninhos, do hospício traidor, e me
Conduzas pelo meio do caminho de uma invejável paz onde nada atormente-me o ente, nada arrebente nada, acalente somente a fenda de um infinito sentimento protetor! 
Faça da certeza desse algo maior o meu escudo vencedor e me guie para  onde as ondas são pacificas, para onde o Sol reluz sem a angústia do jamais a cada resplendor do magnífico pôr do Sol de todos os dias que nos unem, e que nos separam, para hoje e para sempre!

Profeta dos meus sonhos, me leve para sempre daqui, pois como conseguir vencer quando tudo que me cerca é passado e vertiginosa ruína...ou será que cego nao consigo ver mais os sonhos nessa cidade da decadência? Esse símbolo do terror! 

Será que sem olhos ainda consigo caminhar pelos cantos floridos do mundo, e da carne de teus lábios, risonhos, morder a flor? Meu muso inspirador, para onde foste tão coberto de mágoas dolorosas, as chagas de uma rosa que sempre te espinhou...

Espinho este tão severo que sempre te sangrou!
Em, para onde foste meu querido beija-flor? 
Pois  agora cada vez ao despertar, não te vejo no jardim...numa parte elementar brilhante e vazia desabitada dentro de mim....

Para onde se entranhou , nesse mundo onde além de nós, de um só junto de outro só, não existe nada mais além de uma treva apavorante e um triste silêncio de frieza insondável, extremamente  angustiante, que se instala como um diáfano véu  sobre o rosto de todas as faces que nos tocam, e nos visitam, impenetrável e assombrador!!! O rosto pálido da morte sobre o vazio inescrutável de um partido vaso
sem flor! 

FC



                                                                I   LEONI 

ILÍCITO BEIJA-FLOR

Ilícito implícito, o que fazes de mim,
quando acordo pela manhã sem meus dentes
sem as asas que me pusestes enfim, sem as cordas,
as algemas e as falas, e me vejo sóbrio, desnudo,
vestindo somente um colete a prova de balas...
veste esta toda metralhada pelas tua rajadas irascíveis 

ilícito beija flor, o que fazes quando me provocas
sanitário, como um peixe aturdido no aquário, degolado
com a lâmina de barbear, depilada as penas
que plantastes em meu dorso como seu eu fosse
um animal, um flamejante flamingo desfigurado, pois acordo como
um espantalho rosa e assustado, despenado no meio do seu milharal...

ilícito despudor, o que fazes de mim, quando perco
a razão, há algo de errado no entorno do quarto,
por que observo as luvas e os bisturis, e um
resto de algodão, o que fizestes enquanto dormia além
de roubar meu coração?, que outro órgão precisaria
para acalmar tua insaciável sedição?

ilícito das dores, saibas que irás sofrer, pois tuas mágicas
são tumores que um dia vão florescer, ilícito das flores,
devolva-me o meu ser, para quando raiar o dia
eu poder chorar em paz com tudo aquilo que um dia
quis viver...

não preciso de mais nada, nem dos sonhos, nem das risadas
dos duendes e das fadas, sequer do nosso mágico alvorecer,
somente vivo para a estrada do meu solo conhecer...
e te esquecer, te esquecer, te esquecer!

ilícito da madrugada, assim como veio, por favor,
Parta! E faça os teus sonhos de fumaça, as lembranças e
carcaças, como a taça que agora quebro, atirando
na parede, o meu chega, o meu basta, desaparecerem,
pois não posso mais querer,
uma eterna impalpável magia
faça tudo isso morrer...

Devolva-me o coração apenas
e a dignidade do meu ser!

FC







IL LETTO E IL DILETTANTE