terça-feira, 26 de maio de 2015

SANTA VIRGEM DAS MERETRIZES

Corpos dos meus corpos, para onde vão depois dos sais?
Dos banhos tantos, de uma noite imperatriz, doente os
Meus olhos, minha pele virgem de santa, a Santa Meretriz?
Para onde vão os sujo despejados depois dos copos
E do sangue escorrido, das vozes mortas no nariz? Oh,
Santo Augusto dos Anjos, nos salve por um triz, e faça
Um malabarismo com os meninos e a moças, os garotos
de leite condensado, aliviados, despejam dentro em mim,
o leite moça cristalizado, a sopa com pimenta, o caldo do
Diabólico festim,
culpa de meus pecados, desesperados, a seiva da escuridão
assim sorvi, quando eles, mais vingados, na lágrima de um
rosto que ainda me sorri, jorravam ferventes a seiva da
vida renascente dentro das minhas paredes, dos meus
vasos absorventes, tão sedentos, tão abertos, tão decentes!

Vivi assim tão solto, alegremente visceral, visceralmente literal!
No peito desgarrado, dos tantos mal amados, assim não senti,
O ínfimo dos meus pecados e abandonos, meninos tão sem donos,
Filhos da noite, os pequenos bastardos de Nix, floreados
Nos meus canteiros, plantados dentro de mim! As cinzas dos meus cinzeiros, 
cremados, em creme de alma e alecrim! 

Agora me diz, Santa Virgem Meretriz, o que faço com tudo aquilo que já fiz?
Como desenterro o que no ventre semeie? Como purifico a etérea alma
Vivente no meu Jardim?, onde os ossos foram todos triturados, num tempo
De perene mascarado sofrimento, bailes eternos de carnaval, onde as minhocas
Viraram os restos dos corpos que agora habitam em mim.... nos frutos
do meu Peito, pomar de uma orgia cosmopolita, convivem os inúmeros desfeitos
pedaços de todos esses mundos, tão miseravelmente expostos ao vento, um irreversível 
desamparo, desagasalhados, que por uma onda torpe de um destino indecifrável,
quando fugia de mim mesmo, os encontrei...

Seriam eles a Esfinge de Tebas, e eu Édipo Rei?
Serei eu condenado pela morte de meu próprio pai,
a quem tanto a vida toda em pensamento assassinei?
Eu cego eterno e de mim mesmo serei lacaio?
Será que o matei sem saber, nesses surtos orgiasticos, de
Orgásticos desmaios, corpos degenerados empilhados aos montes sem fim,
Serei eu filho de Laio? e o progenitor dos filhos de um
Amor filial amaldiçoado? Será esse amor uma teia e um
Laço, de um destino traidor, ou somente o desfecho de um
Árduo Destino promissor? 

Oh, Vida minha infeliz, estamos todos sempre
Por um triz.... Humildemente, vos imploro! me traga a felicidade
Imperatriz, com as palavras abençoadas
Pelo vento, e pelo mar...e dos amores que tive, me traga a absolvição por todo mal que fiz!

Santa minha , 
Santa Virgem Meretriz

FC




                                                         IL SANTO BACCANALE

3 comentários:

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  3. Carmina Burana, poesia profana , espetacular erótico...aqueles que pecam pelo excesso de prazer, pelo intenso desejo, que valorizam o prazer devem ser condenados?Qualquer fragmento de um gesto , de uma trca ta valendo... muto melhor que o desejo contido reprimido nas armadilhas da nossa mente...

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